“- Ei, não me esquece;
- Nunca;
- Certeza?
- Você sabe que não deveria estar me fazendo essa pergunta;
- Sei não;
- Pensa bem;
- Mais?
- Acho que a coisa mais importante tu esqueceu de pensar nesse tempo todo;
- Qual?
- Eu fui filha da puta contigo? (Só responde, sem fazer perguntas).
- Sim;
- E mesmo assim eu continuo aí, não?
- Aqui onde?
- Mente, coração, ou sei lá; (não era pra fazer perguntas)
- Ah, sim.
- Então, se eu que fui filha-da-puta pra caralho contigo não fui esquecida, por que motivo você seria esquecido por mim?
“Eita homem pra me beijar. Coisa chata. Minha mãe deveria me prender em casa, me proteger, sei lá. Onde já se viu andar com um homem desses. O homem me busca todas as vezes, me espera na porta, abre a porta do carro. Isso quando não me suspende no ar e fala 456 elogios em menos de cinco segundos. Pra piorar, ele ainda tem o pior dos defeitos da humanidade: ele esqueceu a ex namorada. Depois de anos me relacionando só com homens obcecados por amores antigos, agora me aparece um obcecado por mim que nem lembra direito o nome da ex. Fala se tão de sacanagem comigo ou não? Como é que eu vou sofrer numa situação dessas? Como? Me diz? Durmo que é uma maravilha. A pele está incrível. A fome voltou. A vida tá de uma chatice ímpar. Alguém pode, por favor, me ajudar? Existe terapia pra tentar ser infeliz? Outro dia até me belisquei pra sofrer um pouquinho. Mas o desgraçado correu pra assoprar e dar beijinho.
“Mas a gente espera, lá no fundo, perdido, soterrado e cansado,
que a vida compense de alguma maneira.
“O tempo passou, meu amor. Eu cresci, eu aprendi, eu mudei. Hoje eu sou outra. Depois de tanto lutar pra ver o seu sorriso, eu aprendi a valorizar o meu.
“Eu sabia que você me faria chorar, mas mesmo assim, eu me mantive lá porque eu te amava.
“A gente nem ficou, mesmo assim eu não tiro você da cabeça. O pouco que durou, o nosso encontro me faz duvidar que um dia eu te esqueça. Sei que pra nós dois um romance é coisa delicada demais. Não dá pra esquecer o que vivemos antes um do outro. Bem melhor a gente deixar rolar, e se entregar, ver o fogo que apagou queimar de novo. E ai quando vem me ver? Tô aqui esperando você.